Reflexões sobre AI: Context Graphs, Unbundling e outras leituras
E um update pessoal
Olá, eu sou Guilherme, atuo como VC e apoio fundadores em early-stage. Na DealflowBR compartilho notas de campo, frameworks e curadoria para fundadores e investidores. O objetivo é separar o sinal do ruído na jornada de construção de startups. Todas as opiniões são exclusivamente minhas. Se quiser colaborar, me encontre no LinkedIn ou responda a este e-mail.
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Nessa virada de ano, após 5 anos, eu me despedi da Astella! Foi uma jornada muito rica e proveitosa, onde pude aprender e colaborar com pessoas de alto nível e empreendedores que admiro.
Agora, vou para uma nova. Há tempos tenho a vontade e interesse de criar e construir algo com minha autenticidade e alinhado com minhas crenças. Ainda não consigo descrever completamente o que vou fazer, mas uma coisa eu tenho certeza é que é estar ao lado de founders e criar valor por meio de tecnologia. Irei compartilhando alguns rastros e próximos passos por aqui.
Enquanto eu planejo e dou meus primeiros passos, vou abrir alguns slots para ajudar founders com desafios de fundraising e de criação de valor em Venture. Meu intuito é apoiar founders para a aumentar a chance de sucesso e domínio da trilha de venture capital, trazendo a experiência de investidor e de board member de empresas investidas nos últimos 10 anos. Caso tenha interesse, clique aqui para saber mais e vamos conversar:
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Obrigado por ler até aqui.
Agora, vamos para a edição que conta com um compilado de reflexões e leituras das minhas férias. Foram algumas ideias, teses e atualizações sobre IA.
Context Graphs
Esse é um assunto que surgiu da turma da Foundation Capital no final de dezembro, e rapidamente levantou discussões entre investidores e founders de IA, dada a clareza de uma tese e seu potencial. Na minha opinião, é uma perspectiva muito interessante sobre para onde está indo o desenvolvimento de IA e agentes para empresas.

Atualmente, a maioria dos Systems of Records das empresas operam com dados estáticos. Apesar de conseguirmos registrar bem os dados do “o quê” (o dado final, como deals perdidos no CRM, registros e informações básicas de clientes), perdemos completamente o como e o porquê do negócio. Às vezes até registramos o motivo, mas não o contexto, não alimentando o entendimento das circunstâncias, motivações ou os rastros daquela decisões, para, por fim, ter uma IA que consiga navegar futuramente por ele.
Como uma das autoras coloca, existem vários desafios para isso, um dos principais é que todos os sistemas rodam em dinâmicas diferentes de Estado e Evento. Estado é o registro, “o que é verdade agora”, e o Evento é o que aconteceu, como e por quê. O Estado é fácil, é o registro básico que já conhecemos. Agora o Evento é mais complexo de capturar, e um grande desafio. A IA precisa ser capaz de ‘rastrear as decisões’, com diversos ângulos e Eventos que formaram o contexto para aquela decisão, seja de compra, vendas, movimentos estratégicos, entre outros diversos. Penso até como em investimentos de venture capital em que existem diversas de nuances e vieses raramente rastreados em decisões.
Isso é desafiador porque é preciso tempo para construir, organização e um auto-conhecimento da própria empresa sobre seus processos de decisão e seus contextos - que envolve missão, ética, objetivos anuais e de longo prazo etc... Além disso, acredito que é preciso de uma inflexão tecnológica, como, por exemplo, avanço em gestão de bancos de dados e novas formas de captura para chegarmos lá.
Concordo que ainda estamos distantes disso. Mas por aí começo a enxergar o que seria uma superinteligência, de fato, ou até uma definição para AGI. Conseguir armazenar esses dados, que muitas vezes não vêm à nossa mente, que são exceções ou parecem fora de contexto, deve se mostrar de fato a vantagem de dados.
Os Context Graphs são o caminho claro para construirmos IA que realmente consiga tomar decisões de níveis mais altos e muitas vezes melhor, e devem estar na tese de toda solução que quer dominar workflows e processos de dentro das empresas. Me parece um novo motivo pelo qual a batalha atual não é apenas por armazenar dados(o Estado, como coloquei acima), mas por dominar os workflows - o System of Action. Como mencionei na tese sobre PMF em AI, quem controla onde o trabalho acontece, consegue rastrear melhor as decisões e estar mais próximo da captura do contexto(o Evento). Como menciono, é por isso que os grandes incumbentes de System of Records estão correndo para atuar na execução das tarefas para capturar esse contexto e virar de um System of Records para um System of Reasoning of Records.
O Unbundling e Rebundling em IA
Tenho refletido sobre o movimento de unbundling e rebundling que está acontecendo nos últimos anos. Eu expliquei esse conceito nesse post de 2020. Basicamente, os mercados de soluções de software seguem ondas de unbundling e (re)bundling (desagregação e agregação), e nessas inflexões, com o desembaralho do mercado, costuma ser o momento de enxergar e apostar em disrupção.
“empresas começaram a desagregar a sua cadeia de valor, com desmembramento de ativos de produção, ou de distribuição do seu negócios. Dessa forma, ganham maior eficiência e competitividade em custos. Isso aconteceu historicamente com o outsourcing (terceirização) de diversas funções como, por exemplo, produção industrial, distribuição, atendimento e call centers, gerando oportunidade de novos negócios.
Com a internet e tecnologias digitais, surgiu uma segunda onda de desagregação. Nela, algumas empresas estagnadas, com soluções não tão eficientes, começaram a ver seus negócios serem desmembrados e atacados, em partes, por empresas menores e especializadas em solucionar problema específicos.”
No texto, eu comento do Craiglist e do mercado financeiro/fintech do Brasil que sofreram claros unbundling na última década. Era claro enxergar isso acontecendo na era dos SaaS e dos marketplaces. A ideia era pegar uma cadeia de valor ineficiente e criar novas soluções, ou até micro soluções focadas e especializadas, para gerar mais valor e gerenciar pontos de transação específicos(unbundling) para dominá-los e consolidá-los (rebundling). Mas, nessa era não muito distante, era sobre a gestão das tarefas e dos dados, muito supervisionado e executado por humanos.
Eu tenho pensado em Inteligência Artificial, é que, com o ataque ao trabalho em si, a execução das tarefas ou à mão de obra, a natureza desse unbundling é um pouco diferente.
O Unbundling do Workflow
No paradigma anterior do SaaS, o software vendia a gestão de fluxo de trabalho. Salesforce não vende “vendas”, vende uma ferramenta para gerenciar as vendas. E assim vai para diversas outras soluções de software.
A IA, com a automação e sua capacidade de cognição, é capaz de atuar nas tarefas ou no trabalho. Então, nesse ponto de “unbundling,” ela vem para fatiar o serviço ou trabalho em tarefas, não meramente a gestão dele. E o trabalho mais repetitivo e ineficiente tende a ser o ponto de partida.
E, como mencionei no último artigo da nota acima de Context Graph, a batalha é para dominar essas tarefas, com o melhor domínio e maior velocidade, se integrando ao fluxo de trabalho e ecossistema.
Para quem está construindo, eu vejo algumas diretrizes:
Importante começar atacando uma tarefa repetitiva e ineficiente. Pensar qual fluxo de trabalho manual e custoso eu posso fatiar e penetrar.
O foco não é necessariamente um nicho de mercado, mas um workflow. Por isso, hoje em dia, o conhecimento dos processos de uma indústria ou vertical é tão ou mais relevante que um conhecimento técnico.
Não tem problema em ser um AI Wrapper, pois as interfaces mais generalistas falham em workflows com maior especificidade. Mas, sendo um AI Wrapper, é importante estudar e ter em mente os roadmaps das grandes plataformas e LLM, e evitar estar no caminho delas. Além disso, é importante tratar IA como o ofício, com princípio de arquitetura e engenharia, e não como apenas uma mágica.
E, por fim, o mais relevante para quem quer construir algo grande é visualizar o end-game como uma plataforma completa - como o gráfico acima mostra, Platform Lock-in. Se não, provavelmente a sua solução se tornará uma feature de alguma outra plataforma. Pense como pode avançar no workflow e expandir, por exemplo, do uso do indivíduo para uso de toda a equipe, para uso de toda a área, para uso de toda a empresa e para uso de todo o mercado.
Report da Battery - State of AI
Para visualizar algumas das coisas que refleti acima, esse relatório da Battery Ventures traz diversos pontos relevantes. Achei legal que muitas ideias corroboram com o report de IA que produzi em meados de 2025 (aqui para quem não viu).
Aqui vão alguns slides e notas:
Aqui está uma boa visualização da corrida de IA, e quem vai ser o maior integrador.
Esse slide abaixo mostra as margens dentro da cadeia de IA. Interessante como apenas a infraestrutura está capturando o valor, porém é esperado que isso comece a se inverter quando as ondas tecnológicas e o terreno da infraestrutura se estabilizarem.
Boa visualização das diferentes estratégias de wedge e próximos passos entre aplicações e plataformas, e qual moat cada um está buscando.
Esses dois slides abaixo trazem métricas, e em seguida de vendas, e seus benchmarks globais para empresas de IA.
Bill Gurley (ex-VC da Benchmark Capital) sobre IA
Nesse episódio do podcast com o Tim Ferris, o Bill Gurley traz uma visão bem completa, e algumas opiniões, sobre o cenário e as expectativas do mercado de IA. Como a Carlota Perez e a bolha de IA, as grandes plataformas, o que importa hoje em dia para founders entre outras coisas... Esse é o trecho:
O episódio todo é muito bom. Recomendo bastante, o trecho em que ele comenta sobre carreira (“Don’t Half Ass Your Dreams”), tema do seu livro que será lançado em breve.
Outras Leituras Interessantes / ICYMI:
Achei bem relevantes os pontos do memorando de Mosseri sobre mudanças e desafios no Instagram em relação à autenticidade, policiando e afirmando o controle sobre identidade.
Os custos de soluções de IA para construir um MVP da Lazyweb.com.
Ótima leitura do founder da Notion sobre a evolução da tecnologia e os materiais milagrosos, como do vapor, ao ferro e agora os agentes.
Um ótimo report de overview da Meritech sobre M&A, IPOs e liquidez em tecnologia em 2025.
É isso! Obrigado por ler, e até a próxima.
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